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Será que alguém ainda visita isso aqui?
Se sim, aviso que estou de blog novo.
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Espero vcs lá!
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258 milhões de dólares de orçamento, 148 milhões arrecadados nos EUA, mais 227 milhões ao redor do mundo, isso tudo só no primeiro fim de semana do novo filme do aracnídeo em cartaz, 41% das salas nacionais e por aí vai. Recorde atrás de recorde, mas não se engane: o filme do Aranha não faz nem de longe jus à tanto alvoroço e não merece tanto sucesso.
Alardeado como mais uma trilogia arrasa-quarteirão que chega ao fim (depois divulgado que mais filmes da franquia virão) o novo filme do diretor Sam Raimi chegou aos cinemas coberto de expectativas, com uma proposta de roteiro muito boa, no qual o Aranha enfrentaria ao seu próprio lado negro, além de outros 3 vilões (Venom, o Homem-de-Areia e o novo Duende Verde). Até a namorada Mary Jane ganha sua primeira rival, Gwen Stacy, modelo filha do Capitão Stacy.
Muitas personagens novas, muita história pra contar, o que se tornou algo arriscado e que só daria certo se os produtores e o diretor resolvessem sacrificar um pouco mais das cenas de ação para contar melhor a história de cada um, o que não é feito, tornando o roteiro algo bagunçado, resumido, tudo em função do que realmente dá dinheiro aos estúdios: as cenas de ação repletas de efeitos especiais.
Efeitos especiais esses que estão cada vez melhores, assim como as cenas de ação, impressionantes, com ritmo alucinante e por vezes muitas, vertiginosas. Mas isso não faz do filme um filme bom. Faz dele um filme-evento, podendo ser um programa divertido se visto com amigos e sem levá-lo a sério. Se for esta a intenção, vá ao cinema correndo que você correrá o risco de escutar palmas a todo momento, gritinhos de "emo-aranha" e mais algum tipo de sarro, que o próprio filme dá margens às gracinhas das platéias mais imaturas.
Sam Raimi perdeu uma boa oportunidade de fazer finalmente um grande filme do Homem-Aranha, pois o roteiro é realmente bom, mas escorregou legal, se vendendo à grande indústria. Mas não se pode criticá-lo, afinal, a intenção de se produzir filmes assim é justamente essa, dar entretenimento vazio ao público, que retorna em forma de muito dinheiro, o que garante a futura existência de filmes que realmente valerão a pena serem assistidos.
É assim que funcionam os grandes meios de comunicação de massa, metralhando informações no receptor, que diante do bombardeio, nem nota os erros de produção, pois não dá tempo nem de raciocinar direito, dando a sensação boa de adrenalina vivida no decorrer da sessão, mas que na realidade só existiu um vazio.
Além é claro (não poderia faltar num filme assim) de declarações de patritismo, só aqui sendo hipócrita suficiente para pintar EUA como um país de heróis. Só se for na imaginação arrogante deles, mesmo.
Mas nem tudo é ruim no filme. A cena em que aparece o Homem-Areia pela primeira vez é a melhor utilização de efeitos especiais no filme, assim como Thomas haden Church foi a melhor aquisição para o novo elenco, além de Bryce Dallas Howard, aqui espcialmente linda. Tobey Maguire e Kirsten Dunst estão cada vez mais à vontade para encarnar seus personagens e o visual continua num crescente de perfeição.
Dessa vez, Kirsten Dunst canta, fracamente aliás (proposital ou não) e Tobey protagoniza uma das melhores cenas do filme, surpreendentemente dançando à la Antonio Banderas! Se depois disso Mr. Maguire não protagonizar um musical Hollywood dará uma grande mancada. Sem contar as cenas em que o aracnídeo assume sua porção negra emo-aranha, o que rende uma tiração de sarro sem fim por parte do público, toda vez que o emo (ops!) Aranha aparece em seu lado maligno.
Enfim, quem gosta da franquia, comemore porque esta terá outras continuações e para quem não gosta, mas gosta de cinema, comemore também, pois são essas bilheterias gigantescas que têm sido responsáveis pela sobrevivência da telona em tempos de crescente pirataria.
Mas quem for, vá ciente de que este não é um filme, é mesmo um evento.
Caixa Dois é baseado na peça homônima de Juca de Oliveira, que tem o costume de colocar em seus trabalhos de humor uma pitada de crítica ao governo e ao sistema.
Nesse caso, a história foi feita principalmente com a intenção de se criticar as atitudes corruptas dos altos cargos das empresas, o desvio de verba e tudo o que já estamos acostumados a saber o tempo todo, pelos governantes.
Também serve para discutir até onde vai a honestidade de um cidadão comum, no caso, de uma família da classe média brasileira. Mostra, por exemplo, sem hipocrisia, que é muito fácil negar subornos numa situação que envolva pouca grana, mas que a coisa muda de figura quando o dinheiro em questão suba para o patamar dos milhões... Aí a tentação pode ou não falar mais alto.
Presidente de um banco consegue R$50 milhões numa transação de investimentos em precatórios e usa sua secretária como laranja. Mas descobre que o depósito do cheque da tal transação foi feito na conta errada. Descobre ainda que a conta em que foi depositado pertence à mulher do gerente de um de seus bancos e que, por acaso, é também sogra da secretária laranja!
E aí é cada um por si, cada um pensando em si ou no dilema entre ter a consciência tranquila ou ceder à corrupção para resolver seus problemas financeiros.
A analogia feita entre a presidência do banco e o governo brasileiro, dentre outras críticas sociais dão maior sentido na existência do filme e fazem de seus diálogos até mais engraçados.O filme tem ritmo acelerado (os 90 minutos passam muito rápido) e o elenco está bem afiado, principalmente Fulvio Stefanini na pele do presidente Luiz Fernando, cínico como exige o papel.
Na trilha, a música-tema ficou por conta de Fernanda Takai (do Pato Fu) e de Ed Motta, abrindo o filme junto à animação muito legal feita para apresentar os nomes da produção.
Confesso que os filmes da panelinha global formada por diretores globais, como Jorge Fernando, Daniel Filho e cia, e aqui, Bruno Barreto, já contribuíram o que podiam para a arte, mas continuam rendendo boas bilheterias e nisso vamos nos afundando nas porcarias que eles fazem.
Caixa Dois é uma excessão no que diz respeito à diversão com um pouco de conteúdo, mesmo não sendo nenhum primor de produção nem sendo um filme que vá ser lembrado futuramente.
Mesmo assim, percebemos que o cinema nacional tem criado alternativas para não cair na mesmice e abrir o leque de opções e gêneros e isso já é um bom sinal.
Dentre os nacionais em cartaz atualmente é o mais fraco, mas não deixa de ser uma boa pedida para quem quer passar tempo.
Produzido com um orçamento nem tão grandioso assim para os padrões de Hollywood ($60 milhões de dólares), 300 chega aos cinemas como uma das grandes apostas de 2007. Isso porque Sin City, produção anterior também baseada nos quadrinhos de Frank Miller, foi um sucesso e fez com que os fãs deste acreditassem ainda mais na fidelidade conferida às suas próximas versões cinematográficas. E a direção foi ainda entregue a Zack Snider, que conseguiu transformar roteiros fadados à bobagens em filmes descolados e com um pingo de cérebro, como o caso de Madrugada dos Mortos, lançado em 2005 sem muita expectativa e se transformou em sucesso graças à sua competente direção.
A promessa de que a atmosfera de graphic novel fosse mantida em 300 animou o público e foi-se criando expectativas muito grandes para seu lançamento. E não deu outra: o filme já é sucesso no mundo todo, não só de público, mas de crítica também.
A história é baseada nos quadrinhos homônimos de Frank Miller, que por sua vez, se baseou na Batalha de Termópilas, na qual o rei espartano Leônidas recebeu uma intimação do imperador persa Xerxes para saírem de seu caminho antes que fossem eximados do lugar que Xerxes gostaria de conquistar. Leônidas não seguiu o “conselho” de Xerxes e declarou guerra aos persas. Mesmo sem autorização dos Éforos (sábios que formavam uma espécie de Conselho dos espartanos, cujas opiniões eram sempre respeitadas) e da previsão de tragédia feita pelo Oráculo (espírito visionário consultado pelos éforos), escolheu a dedo seus mais fortes combatentes e formou um exército de apenas trezentos homens para enfrentar os cerca de 3 milhões de soldados do imperador persa Xerxes, para impedir o dízimo da população espartana.
Aliás, a cena
A mistura de documento histórico com mitologia e quadrinhos ficou visualmente arrasadora. É para se assistir babando, com todo o cuidado impresso na fotografia magnífica, nos cenários e figurinos equilibradamente brutos e pomposos, nos efeitos e nas cenas de lutas fantásticas.
O que para mim poderia ter sido trocado ali foi o protagonista Gerard Butler, o tempo inteiro forçando uma impostação de voz para torná-la grossa e imponente, coisa que ele não tem, causando certa antipatia cada vez que ele abre a boca.
Outro fato que deixa o filme em certos momentos nivelado com outras produções “arrasa-quarteirão” medianas de Hollywood é a quantidade de frases de efeitos colocadas entre uma cena outra. O filme peca justamente aí, pois poderia ter mais diálogos marcantes e de impacto sem precisar apelar para frases feitas para empolgar o público pipoca e descerebral, e não o tem. À exceção da frase que soa piegas, mas que surte efeito pelo fato de registros históricos relatarem que ela foi realmente dita pelo rei Leônidas ao seu exército: “Almocem comigo, porque hoje à noite, jantaremos no inferno”.
Sobre a participação do brasileiro Rodrigo Santoro, o ator está muito bem em seu papel e cada vez mais adaptado e à vontade para atuar
A solução encontrada pelo diretor para a composição do grandioso e tido como um deus Xerxes foi muito boa. Deu a ele uma voz distorcida, bestial, estatura de cerca de três metros, possibilitada pelo posicionamento das câmeras cada vez que Santoro era enquadrado, com figurino rico, dando o ar divino e sedutor a Xerxes, bem como os relatos históricos contam.
A solução encontrada por Zack Snider para o final foi excelente, sem precisar se alongar muito tempo para concluir a história, utilizando-se de uma elipse inteligente e bem melhor do que se tivesse mostrado a batalha até o seu final, deixando claro o que aconteceu sem precisar entediar o público, já extasiado o suficiente e satisfeito com o espetáculo visto até então.
Os elementos históricos estão todos ali: o culto ao corpo, o sacrifício dos nascidos com alguma deficiência, a disposição do exército em lutar pelo seu povo e os atos de heroísmo e coragem do exército espartano. Elementos que só favorecem o filme.
Enfim, vale à pena para quem gosta de filmes pipoca, para quem gosta de filmes com visual arrasador, para quem gosta de filmes com teor histórico ou para quem curte adaptações de quadrinhos. Uma história que já merecia ter sido contada há muito tempo, ainda mais com o toque genial de Frank Miller.
300 (EUA-2007)
Dir.: Zack Snider
Com: Gerard Butler, Rodrigo Santoro, David Wenham...
Por Fred Burle
Ao contrário do que o marketing em cima do filme anuncia, Ponte Para Terabíthia nada tem a ver com As Crônicas de Nárnia. Definiria como uma releitura de Meu Primeiro Amor, acrescida dos elementos fantásticos da imaginação de adubo das crianças. Só não chega a ser realmente uma releitura porque o filme é baseado num conto infantil.
Esse é um dos casos em que a vontade que nos dá é de demitir os responsáveis pela promoção do filme, o que vira-e-mexe acontece. O que fizeram foi vendê-lo como arrasa-quarteirão, cheio de efeitos especiais, com pretensões ao tal Crônicas de Nárnia. Essa infeliz comparação, na minha medíocre opinião, é algo suicida, pois se o filme não se parece realmente com o produto comparado, o público se frustra e o rejeita, tornando o seu “boca-a-boca” ainda mais difícil.
Não é um arrasa-quarteirão nem tem potencial para, não é cheio de efeitos especiais e muito menos se aproxima da fábula cinematográfica produzida pela Disney.
Na verdade, se trata de contar uma “história de amor juvenil”, assistível por qualquer um, cheio de clichês e lições de vida.
Garotinho solitário se torna amigo da nova aluna da escola, uma garota “bicho-grilo” como ele, e vê nela uma companheira para suas “viagens”. Juntos, eles criam o mundo de Terabithia, onde eles são os reis da floresta, habitada por seres e mais seres esquisitos. Nasce aí uma amizade difícil de ser separada e ambos descobriram, então, o primeiro amor de suas vidas! Piegas, não?!
É realmente tudo bem clichê, mas com um tratamento profissional muito cuidadoso , além da inegável empatia da duplinha de protagonistas.
Os tais alardeados efeitos especiais entram aqui como coadjuvantes, apenas como um diferencial à narração, está ali para dar vida à imaginação de criança que todos nós tivemos um dia.
Não é nenhuma obra-prima, pode parecer bobo para quem não gosta de filmes que levem às lágrimas, mas para quem consegue se desvenciliar do lado mais crítico de cinéfilo, torna-se um excelente programa, que consegue divertir na medida certa e talvez emocionar além do que se espera.
Admirem toda a inocência e a magia do mundo infantil e se deixe identificar nos personagens e tornar aquilo num programa nostálgico de quem sabe a importância de se incentivar as flores das mentalidades de uma criança.
O filme é o retorno, após 27 anos, de Gabor Csupo como diretor. Neste tempo, ele trabalhou em diversos projetos bacanas, como Os Simpsons (supervisor de animação), Os Thornberrys e Rugrats-Os Anjinhos (produtor e roteirista).
Recomendo altamente!
Letra e Música é uma comédia às vezes romântica às vezes satírica, mas em quase nenhum momento cai no clichê. Nada é feito aleatoriamente, não são piadas jogadas ao acaso nem "gags" de artistas que nã sabem fazer graça de si mesmos.
O filme já começa de forma hilária. Hugh Grant é Alex Fletcher, um cantor que fazia parte da extinta banda de sucesso nos anos 80, PoP. Já no clipe inicial do filme, o espírito da trama já é denunciado, com Grant dançando e cantando à la anos 80, ridículo, mas não tem como não ceder à graça da encenação.
Fletcher tem feito na atualidade somente shows falidos, em parques de diversões ou bares obscuros do subúrbio, até o dia que seu empresário descobre que Cora, garota de maior sucesso das paradas, estilo Britney Spears e cia, é sua grande fã e quer gravar uma música sua. O problema é que Fletcher só compõe melodias e precisa de um letrista para a missão, que tem o prazo de 4 dias para se completar, caso contrário, Cora gravará a música de outro artista.
Desesperado para conseguir reaparecer na mídia, Fletcher vê sua grande chance depender da ajuda inesperada da garota que cuida das plantas de seu apartamento (!), cujo dom é descoberto por ele por acaso.Começa aí a construção da música, do relacionamento dos dois "compositores" e da homenagem (ou não), sátira (ou não), do processo de composição de uma música, principalmente quando a indústia exige rapidez e sons que vendam muito, sem preocupação com conteúdo.
Hugh Grant encarna com excelência o espírito patético e decadente do cantor pop, protagonizando cenas impagáveis. As músicas são divertidas, mesmo quando não são boas, Drew Barrymore está apenas do mesmo jeito que está em qualquer filme que faça, mas quem rouba a cena mesmo é a jovem Haley Bennet, na pele da cantora fútil, discípula de Britney Spears, sem nenhum critério de repertório, muito menos expressão facial. A interpretação é crítica e mesmo com clima de brincadeira, é levada a sério pela garota, que faz a mesma cara de nada e pose de zen que as cantorinhas de hoje.
O diretor Marc Lawrence volta com essa comédia muito divertida, passatempo de primeira, no nível de um outro filme seu, Miss Simpatia, e muito melhor que outros longas também seus, como Miss Simpatia 2 ou Amor à Segunda Vista, este com o próprio Hugh Grant protagonizando.Recomendado para quem quer se divertir sem muita reflexão num programa diferente e de qualidade.
Assista e corra o risco de sair do cinema dançando ao som tosco oitentista de "PoP! Goes My Hearth". =)
Mais uma adaptação dos quadrinhos da Marvel, Motoqueiro Fantasma ganhou vida graças ao sucesso das adaptações de sucesso da Marvel e da admiração enorme de Nicolas Cage pelo personagem.
Para citar uma situação parecida com esta e na cena nacional, este filme cai no mesmo erro da Grande Família- o Filme: o desespero dos estúdios em fazer coisas que rendam dinheiro fácil e a pressa em realizá-lo.Johnny Blaze, quando criança, descobre que seu pai está prestes a morrer de câncer e de repente, lhe aparece o demônio e oferece a cura para o pai em troca de sua alma. Obviamente, ele aceita, mas de nada adianta. O pai morre logo em seguida num acidente de moto. Anos depois, eis que reaparece o capeta para cobrar a dívida e a missão incumbida ao Motoqueiro Fantasma é de acabar com o filho do cão, que vem à Terra com a intenção de aprisionar mil almas e então ter poder ilimitado.
O que poderia ter um clima sombrio, temas como satanismo e magia negra permeando o filme, torna-se um programa sessão da tarde, feito para agradar garotinhos, com roteiro vazio e sem nenhum atrativo que divirta.
Eva Mendes está ali para enfeitar como a namorada do Motoqueiro –não consegue-, Wes Bentley teria que amedrontar como o demônio – também nãoconsegue – e Nicolas Cage está ali para se divertir – o faz, mas nem isso é bom, pois tornou o protagonista um personagem raso e sem graça.A única coisa que salva são os efeitos especiais, arrebatadores, mas que hoje em dia, em meio a tantos filmes arrasa-quarteirão inundados de tecnologia de primeira, não são suficientes para prender a atenção de ninguém, muito menos causar admiração pelo feito.
Se isso aqui serve como referência para alguém escolher seus filmes e alguém seguir meu conselho e desistir de assistir o filme, já ficarei contente, pois esse tipo de podreira não merece nem a bilheteria alta que tem gerado.
A Globo Filmes não perde a oportunidade de arrancar uma graninha de nós, cidadãos. É só algo televisivo fazer algum sucesso que logo vira filme.
Em alguns casos, usa-se algum critério, produzem algo bem feitinho, com calma e pelo menos oferecem produtos de qualidade para o espectador.
Não é o caso dessa versão cinematográfica do seriado de maior audiência no Brasil.
A urgência da produtora em lançá-lo no mercado foi fator determinante para seu fracasso como obra, pois só isso para explicar o maltrato do roteiro e a falta de criatividade e coragem para criar elementos que dessem personalidade própria para o filme, não para um especial de fim de ano que passaria na telona.
O eixo central da história é o resultado de uma tomografia que Lineu fez e que, por medo e comodidade – tanto do personagem quanto dos roteiristas – resolve não sabê-lo e acreditar que realmente vai morrer.Diante disso, caímos no famoso clichê "e se...", ou seja, as várias possibilidades que Lineu teria de aproveitar seus últimos dias de vida. Em algumas, Lineu decide que quer mesmo é fazer tudo que nunca teve coragem de fazer (como trair a esposa Nenê) e em outras ele se entrega à tristeza, tomando atitudes como desistir de ir ao baile que vai com Nenê todo ano, desde que começaram a namorar, mas sempre escondendo a "grave" notícia de todos.
Só daí já dá para deduzirmos o óbvio final. Mas isso seria só um detalhe perdoável se o longa cumprisse a missão a que se propunha: divertir o público e fazer rir como nos capítulos da tv.
A sucessão de repetições das cenas, todas com mudanças muitas pequenas e quase sem nenhuma modificação nas piadas faz com que assistir ao filme seja tudo o que não se esperava: um programa enfadonho, arrastado e completamente esquecível!De quem é a culpa? Diria que em parte da preguiça dos talentosos roteiristas Guel Arraes e Cláudio Paiva, mas o grande responsável pela decepção é o diretor Maurício Farias, que nunca deveria sair da tv, pois seu talento se limita àquele espaço. Lembrando que é a segunda vez que ele assume a direção de um projeto ambicioso da equipe do plim-plim e faz com que a promessa de bons filmes vá ralo abaixo. A primeira vez foi com O Coronel e o Lobisomen, que só tinha de bom os excelentes efeitos visuais.
No caso da Grande Família, o que salva é somente o elenco, impecável e esforçado em entreter, mas sufocados por toda a trapalhada e inconsequente escolha da equipe de produção.
Felizmente (ou não!), a marca é tão forte que o fato de ser ruim não impediu que o projeto fosse sucesso, tendo atraído cerca de 2 milhões de espectadores aos cinemas até então. Mas poderia ser no mínimo o dobro disso se fosse feito por profissionais competentes.
História de Chris Gardner, vendedor falido de aparelhos medidores de densidade óssea, que se vê abandonado pela mulher, ficando com a responsabilidade de criar o filho sozinho e sem emprego.
Sua única esperança de melhora de vida é um estágio numa empresa de corretores, mas que exige dele dedicação em seis meses sem salário e sem garantia de contratação. Ele topa o desafio, mas serão os meses mais difíceis de sua vida. É o tempo que ele será obrigado a dormir na rua, passar fome, tudo em nome do investimento no possível novo emprego.
Baseado em fatos reais, a história culmina com o sucesso profissional do rapaz, que se torna dono de uma milionária empresa de corretores.
O filme, que estréia nesta sexta-feira, já arrecadou mais de 150 milhões de dólares nos EUA, contabilizando mais um sucesso na carreira de Will Smith.
Tem apelo emocional suficiente para levar o grande público aos cinemas e ainda conta com a ajuda do competente Will Smith (indicado ao Oscar por essa atuação) e da eficiente diretora italiana Gabriele Muccino, que tenta ao máximo contar com sutileza uma história que tinha tudo para se tornar um dramalhão piegas e apelativo, mas que não o é.
Destaque também para o garotinho de oito anos Jaden Smith, que influenciado ou não pelo papai Will, teve uma atuação direitinha, carismática. A óbvia química dos dois funciona e agrada. 
O cinema precisa de Iñárritu?
Quando surgiu no final dos anos 90, com Amores Brutos, o cineasta espanhol Alejandro Gonzáles Iñárritu despontaria, junto com Guilherme Del Toro e Walter Sales, como a nova onda latina no cinema.
Com um estilo visceral de direção de atores, onde o diretor busca ao Máximo o real de seus atores, ele nos trazia uma pequena obra prima do cinema contemporâneo. Uma história de perdas e acasos que se interligavam numa narrativa que mostrava três lados da mesma moeda.
Lançado ao estrelato e com moral junto aos produtores holywoodianos, Iñárritu realiza 21 gramas, seu segundo filme e primeiro pelos estúdios americanos. Sem o mesmo impacto do primeiro, mas não menos impactante na forma de filmar o drama e sofrimento dos seus personagens.
Com Babel, glorificado mundo afora em vários festivais, Iñárritu fecha um ciclo (uma trilogia segundo o diretor) sobre perdas e as conseqüências de nossas escolhas.
Por mais que peque pela repetição em seu terceiro filme não há como negar que Iñárritu é um dos poucos diretores atuais que buscam deixar na história do cinema sua marca pessoal, sua visão de mundo, seus medos e angústias.
Em Babel nos deparamos com quatro histórias que se passam em locais tão distintos com inusitados, como o deserto do Marrocos e o caos urbano de Tóquio. Histórias essas que se interligam graças às escolhas de seus personagens.
Há muitos clichês no filme, estereótipos e lugares comuns que talvez façam aqueles ditos cujos, cults, acusarem o diretor de ser mais um latino que tenta embelezar a pobreza e miséria humana e social. E por conta disso diminuir o poder de Babel.
Babel é um filme forte. Tenso. Não há clímax. Seu poder está em nos mostrar o quanto somos frágeis, por mais fortes e seguros de nossas crenças. De como necessitamos do próximo.

Mel Gibson precisa de tratamento psiquiátrico. Isso é fato.
Engana-se quem vai ao cinema para assistir algo relacionado a episódios bíblicos como em Paixão de Cristo (veja bem, não é Apocalipse e sim, Apocalypto!), muito menos quem vai ao cinema procurando retrato das civilizações da América Central antes do descobrimento. Nada disso tem aqui. Na verdade, a história poderia se passar em qualquer outra época.
Por Fred Burle